TAPAS E BEIJOS
[Amor à segunda vista]

A produtora de eventos Cíntia Gava, 28 anos, conheceu o engenheiro
Wilson Junior, 36 anos, num feriado na praia. Ficou interessada,
mas achou ele abusado, mal-educado.

'Conheci o Junior há dois anos, numa creperia em Búzios, no Rio. Enquanto esperava o meu pedido junto com as minhas amigas, tomava uma cerveja direto da garrafa. De repente um cara muito bonito passou na minha frente, e nossos olhares se cruzaram. 'Que gato!' foi o comentário geral. Alto, moreno e bronzeado, ele realmente chamava a atenção.

Na hora em que o meu crepe chegou, ele veio na minha direção. Pensei: 'Logo agora que vou comer, esse cara vai puxar papo!' Na primeira garfada, ele encostou e começou a puxar conversa. Fui respondendo àquelas perguntas básicas, onde eu morava, o que fazia. Enquanto falava, pensava: um cara tão bonito assim, solto numa região de paquera, só pode ser casado ou galinha. Perguntei se queria uma cerveja, e ele foi logo pegando a minha garrafa e bebendo direto no gargalo, na maior cara-de-pau. Achei muita folga, nem quis mais beber daquela garrafa. Podia até ser um gato, mas que abusado! Ele pediu o meu telefone e eu dei, mas resolvi cortar o papo e disse que estava indo embora para casa.

No dia seguinte, estava andando na praia quando vi o Junior brincando com um cachorro, ao lado de uma morena linda. Minhas amigas logo comentaram: 'Que abusado, te paquera e no dia seguinte vem para a praia com a namorada. É muito galinha'. À tardinha, ele ligou no meu celular e perguntou se eu não tinha ido à praia. Respondi: 'Eu fui, mas como você estava bem acompanhado, resolvi não atrapalhar'. Ele riu e me explicou que a morena era sua irmã. Daí sugeriu que a gente fosse ver a lua na praia. Pronto, agora está bancando o romântico, pensei. Expliquei que estava sem carro e ele nem se ofereceu para vir me buscar. Achei falta de educação e não aceitei.

Não nos falamos mais em Búzios. De volta ao Rio, percebi que ele tinha deixado alguns recados no celular. Até estava gostando daquela bajulação, mas não pensava em sair com ele. Um cara tão bonito, achei que ia ser só mais uma. Além disso, era abusado, nem um pouco cavalheiro. Depois de duas semanas, o Junior deixou o seguinte recado: 'Sei que deve ter muitos caras correndo atrás de você, mas sou diferente. Quero te conhecer melhor porque te achei especial. Mas considere esse telefonema uma despedida, não vou te ligar nunca mais. Se quiser, você liga'.

Assim que ouvi esse recado, percebi que ele estava interessado em mim de verdade. Liguei de volta e disse que não tinha visto os recados antes, estava trabalhando muito... Daí ele perguntou o que eu estava fazendo naquele momento, e disse que passaria na minha casa em dez minutos. Gostei daquela atitude, senti firmeza. Troquei de roupa e desci correndo.

Nesse dia, fiquei impressionada com o seu jeito simples. Ele dirigia um carrinho popular, e ouvia um chorinho no rádio. Depois, fomos tomar um chope num boteco. Naquela noite não rolou nada, só demos um beijo na hora de ir embora.

Ele se mostrou totalmente diferente do que eu tinha pensado: não foi folgado, não foi abusado, não se comportou como um galinha. Ao contrário, foi cavalheiro, me buscou e me trouxe, insistiu em pagar a conta e não quis forçar intimidades.

Naquela semana era meu aniversário e ele mandou flores no trabalho. À noite, como ia fazer uma pequena reunião, convidei o Junior. Mas ele só apareceu no final da festa e mesmo assim não quis ficar muito próximo, parecia que não queria invadir o meu espaço. E eu querendo dar o primeiro pedaço de bolo pra ele! Mas ele me encantou com esse jeito reservado, discreto. Naquela noite, ganhei de presente um novo namorado

'Achei que um cara tão bonito assim, solto numa área de paquera,
só podia ser casado ou galinha'
Cíntia


Outro lado

'No dia em que eu conheci a Cíntia, estava na creperia com as minhas irmãs e uns amigos. Na hora que fui no banheiro, vi uma loura maravilhosa. Pensei: 'Se voltar para a minha mesa, corro o risco de não encontrá-la mais'. Na volta, percebi que ela ia começar a comer, mas decidi ir em frente mesmo assim. Sou tímido, mas também sou impulsivo. De cara, a Cíntia me chamou a atenção pela sua simpatia. Achei ela espontânea e autêntica. Só peguei a cerveja dela porque não sabia onde colocar as mãos, o que dizer. Foi uma forma de ficar calado até pensar em algumas palavras. E também achei que seria um gesto simpático. É incrível como, às vezes, uma atitude simples transmite uma impressão completamente errada.

Até hoje guardo na carteira o papelzinho onde ela anotou o telefone. Desde o começo, achei a Cíntia totalmente diferente de outras mulheres bonitas, com quem você sai uma noite e nunca mais vê. Não acreditei que uma mulher assim estivesse sozinha. Então, quando a chamei para ver a lua, não me ofereci para buscar porque achei que ela poderia estar com alguém. Mas, de volta ao Rio, decidi investir. Liguei para ela algumas vezes, e não tive retorno. Até deixar aquele recado. Se ela não respondesse, ia desistir. Ainda bem que deu certo porque, agora, tenho do meu lado a mulher mais linda do mundo.'

Fonte:Revista Marie Claire